
Na passada 2ª feira no programa “Prós e Contras” da RTP1, foi analisado com uma certa profundidade todas as (possíveis) causas que originaram as guerras coloniais nas nossas antigas províncias ultramarinas de Angola, Moçambique e Guiné Bissau!
Numa plateia repleta de presenças de todas as faces e intervenientes, no fim desse programa perpassou pela minha mente alguma perplexidade por sentir que ainda existem pessoas que nela estiveram envolvidos e não aceitam todo o desenlace da História no que diz respeito á extinção de antigas colónias e o nascimento de novos países Africanos com todo o direito a guiarem os seus caminhos de maneira autónoma e livre de paternalismos!
Eu como ex-combatente em Angola, já ultrapassei há muito tempo estes dilemas existenciais! Naquele tempo acreditava que o espaço angolano era Portugal, mas depois com todo o poder das mudanças políticas com violência á mistura, tive que compreender que aquela situação de guerra era insustentável, porque como todos sabem, uma guerra de guerrilha não se vence pelo poder militar, mas sim pelo convencimento político e de melhores modos de actuar para o mesmo objectivo!
Hoje esses países caminham pelo seu próprio pé, melhor ou pior, mas é uma situação mais real e só desejo que esses povos saibam também lutar de modo a alcançarem um estilo de vida digno!
Que todas as vidas sacrificadas em ambos os lados das trincheiras sejam honradas, por todos aqueles que dessas perdas e custos terríveis, delas beneficiam! E aqueles que fazem um aproveitamento baseado em corrupção possam ser um dia punidos por isso!
Quanto ao resto, a os ventos da História são implacáveis e não adianta estar a desenterrar permanentemente certos fantasmas do que poderia ter sido e não foi!
No programa do jornalista Joaquim Furtado, também na RTP1, vão ser exibidas imagens e filmes de todo um conflito que ainda nos afecta, mas temos de ter a coragem de os visionar e encerrar de uma vez certas feridas que por mal curadas ainda nos afectam e desassossegam…
É o que eu vou fazer, para libertar alguns sentimentos que porventura ainda estejam vivos na minha pessoa e em muitos intervenientes quer militares, quer civis, de todas as raças e credos!
Mas voltarei a abordar este memorial de guerra! È inevitável! Por causa das dúvidas…















































